Viagem
Phuket: lendo as fachadas sino-portuguesas da Cidade Velha
Última revisão: 2026-07-16
Escrito por Ricardo Dos Santos
As shophouses sino-portuguesas da Cidade Velha de Phuket foram construídas com dinheiro do estanho, não do turismo — e a rua mais tranquila, Soi Romanee, tem o passado mais revelador.
Uma cidade construída sobre estanho, não sobre areia
Muito antes de Phuket se tornar sinônimo de praias, sua riqueza vinha do subsolo. Do final do século XVIII até o início do século XX, imigrantes chineses Hokkien trabalharam em depósitos de estanho por toda a ilha, e os lucros construíram uma cidade a poucos quilômetros do litoral. Durante o reinado do Rei Rama V (1868-1910), as ruas ao redor de Thalang, Dibuk, Krabi, Phang Nga e Yaowarat encheram-se de shophouses (casas-loja) de dois andares, cujos proprietários podiam se dar ao luxo de construir no estilo da moda da época: o sino-português.
De onde o estilo realmente vem
O nome é uma abreviação, não um pedigree preciso. Ricos comerciantes Hokkien contrataram construtores treinados na arquitetura de influência portuguesa de Malaca e Penang, do outro lado do Estreito de Malaca, e importaram o visual por completo: janelas com venezianas, arcadas cobertas de cinco pés (aprox. 1,5 metros) ao longo de cada quarteirão, guirlandas de estuque e plantas de casas raramente mais largas que seis metros, mas às vezes com oitenta de profundidade, com pátio após pátio recuando em direção a uma cozinha nos fundos. Nenhum edifício único marca a chegada do estilo em Phuket — ele simplesmente se tornou o padrão da cidade ao longo de algumas décadas de construção impulsionada pelo estanho.
Leia a rua, não apenas o cartão-postal
A Thalang Road é o trecho mais fotografado, e com razão, mas o passeio mais revelador fica a um quarteirão de distância, na Soi Romanee. Esta rua estreita de fachadas coloridas era, na memória viva, o distrito da luz vermelha de Phuket, servindo aos mineiros de estanho que não tinham famílias na ilha. Sua beleza atual é uma segunda vida, não a original — um lembrete de que as ruas da Cidade Velha eram ruas de trabalho, não cenários projetados.
O fio condutor Baba-Peranakan
Muitas das fortunas do estanho foram construídas dentro de lares mistos: mineiros Hokkien casaram-se com mulheres siamesas, e seus descendentes, a comunidade Baba-Peranakan, misturaram ritos ancestrais chineses com vestimentas, língua e culinária tailandesas em algo peculiar a esta costa. A Chinpracha House, na Krabi Road, ainda habitada por descendentes da família que a construiu em 1903, é o lugar mais claro para ver esse mundo doméstico em vez de apenas sua casca voltada para a rua.
Caminhe por lá em um domingo, se puder
Nas noites de domingo, a Thalang Road fecha para o tráfego para o mercado de rua Lard Yai, quando as mesmas fachadas que antes abrigavam escritórios de comércio de estanho recebem barracas de comida até tarde da noite. É turístico, mas também enche a rua exatamente com o tipo de fluxo de pedestres para o qual as shophouses foram construídas — um momento raro em que a Cidade Velha parece usada, em vez de preservada.
Antes de ir
Use sapatos confortáveis para as calçadas irregulares de cinco pés, leve água para o meio do dia e planeje uma primeira visita para o final da tarde, quando a luz é mais gentil com as fachadas e o calor diminuiu. Um circuito lento de 90 minutos cobrindo Thalang, Dibuk, Krabi e Soi Romanee é suficiente para uma primeira visita; adicione o Museu Thai Hua e a Chinpracha House se quiser ver os interiores além dos exteriores.
Verificação antes da viagem
Este guia SawaLife foi pesquisado e revisado antes da publicação. Horários de funcionamento, fechamentos de estradas, cronogramas de mercados e regras de conservação podem mudar. Verifique os detalhes atuais antes de viajar através da Autoridade de Turismo da Tailândia — Phuket Old Town.