Viagem
Bangkok: o Grande Palácio e Wat Phra Kaew
Última revisão: 2026-07-16
Escrito por Ricardo Dos Santos
Dentro do complexo murado de 218.000 m² onde Rama I fundou Banguecoque em 1782: um Buda de jade com uma odisseia de 300 anos, três trajes sazonais e uma capela real sem monges.
Uma capital fundada por um único decreto
Quando o Rei Rama I atravessou o Chao Phraya a partir de Thonburi em 1782 para fundar a nova capital Chakri, a primeira estrutura que ordenou construir não foi um salão do palácio — foi uma capela real murada para albergar o objeto mais sagrado do reino. Essa capela, Wat Phra Kaew, ainda permanece dentro do complexo murado de 218.000 m² e 1,9 km de extensão do Grande Palácio, e continua a ser o único templo tailandês sem monges residentes: existe puramente como a capela privada da monarquia, espelhando um layout que Rama I copiou das cortes caídas de Ayutthaya e Sukhothai, que estava determinado a ressuscitar em miniatura.
Uma pedra verde com um desvio de 300 anos
O homónimo do templo não é, na verdade, esmeralda. O Phra Kaew Morakot é esculpido a partir de um único bloco de jaspe verde (ou jadeíta, dependendo da fonte), e a sua história documentada começa em 1434 em Chiang Rai, quando um raio abriu um chedi coberto de estuque e os monges encontraram uma figura de Buda dourada no interior. Demorou anos até que uma lasca de gesso caísse para revelar a pedra verde por baixo. O que se seguiu parece uma relíquia em fuga: de Chiang Rai para Lampang, depois Chiang Mai, e depois — notavelmente — para norte, para Luang Prabang e Vientiane no Laos, onde permaneceu durante mais de dois séculos. Só regressou ao Sião em 1778-79, trazido pelo general que se tornaria Rama I após uma campanha militar, e não saiu de Banguecoque desde então.
Três guarda-roupas para um Buda
Duas vezes por ano, na mudança de estação, o Rei ou um membro sénior da família real muda pessoalmente o traje do Buda de Esmeralda — uma cerimónia instituída pelo próprio Rama I e ainda realizada hoje. Existe uma túnica dourada para a estação quente, um conjunto de esmalte dourado e azul para as chuvas, e uma capa de malha de ouro maciço para os meses frios. A figura em si é pequena, com apenas 66 cm de altura incluindo a base, sentada num altar alto dourado traymasat que a faz parecer pequena — deliberadamente, uma vez que a escala aqui sinaliza santidade em vez de espetáculo.
Ler o complexo como um mapa
Doze pavilhões de mármore rodeiam o Salão de Convocação, cada um marcando um ponto cardeal do limite sagrado; procure o Phra Si Rattana Chedi revestido com azulejos de mosaico dourado e a biblioteca Phra Mondop elevada sobre uma base para manter as escrituras originais do palácio a salvo das águas das cheias. Os murais que revestem a galeria do claustro — mais de 1,9 km deles — narram todo o Ramakien, a versão tailandesa do Ramayana, pintados e repintados desde o reinado de Rama I sempre que o clima tropical desgastava o pigmento.
Planeamento prático
O complexo abre diariamente das 8h30 às 16h30, com o último bilhete vendido às 15h30 — chegue a meio da manhã se quiser evitar o calor e a multidão dos grupos turísticos. A entrada custa 500 THB para visitantes estrangeiros, o que também inclui o Museu Têxtil da Rainha Sirikit no local; os cidadãos tailandeses entram gratuitamente com identificação. O código de vestuário é estritamente aplicado: não são permitidos calções, tops sem mangas, tecidos transparentes ou roupas justas — são emprestados sarongues gratuitamente na entrada, se necessário. O acesso mais fácil é o BTS até à estação Saphan Taksin, depois o barco expresso Chao Phraya até ao cais Tha Chang, ou o MRT até à estação Sanam Chai, seguido de uma curta caminhada. Reserve duas a três horas sem pressa, não apenas uma paragem rápida para fotos.
Fonte: Informação oficial para visitantes do Royal Grand Palace, royalgrandpalace.th